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09 JUL 2021 • FEMINISMO

Glossário do feminismo: entenda os termos usados pelo movimento

Gaslighting, manspreading, cultura do estupro... O feminismo está cheio de termos e conceitos que você precisa entender para entrar no debate

Autora

Letícia Albuquerque

 

As mulheres conquistaram o direito ao voto no começo do século 20. A partir de então, o movimento que propõe a igualdade de direitos entre homens e mulheres se desdobrou para repensar a sociedade e a História de diversas formas. De acordo com um relatório lançado anualmente no Fórum Econômico Mundial, no ritmo atual, o Brasil deve levar ainda 59 anos para acabar com a desigualdade de gênero.

Por isso, ampliar o debate é necessário. Mas, participar, é necessário entender os conceitos usados para discutir o machismo e o movimento feminista. Confira nosso glossário com os termos mais usados pelo movimento.

Machismo

Patriarcado: sistema sociopolítico no qual o machismo se baseia. Nele, o gênero masculino e a heterossexualidade têm superioridade em relação a outros gêneros e orientações sexuais. Esse sistema histórico construiu uma base de privilégios para os homens.

Misoginia: sentimento de aversão e horror patológico pelo gênero feminino. Esse sentimento é expressado através das práticas machistas, traduzindo-se em violências físicas e/ou psicológicas. A misandria seria o equivalente direcionado aos homens.

Sexismo: é a discriminação de pessoas em razão do sexo biológico e/ou do gênero, considerando o papel social de cada gênero a partir de estereótipos comportamentais. A fala da Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, “menino veste azul e menina veste rosa”, pode ser entendida como uma prática sexista, por separar os gêneros de acordo com regras sociais sobre comportamentos, vestimentas, etc.

Objetificação: quando uma pessoa é reduzida à condição de objeto. No caso da objetificação feminina, a mulher é limitada à consideração da sua beleza física e de seus atributos sexuais. Dessa forma, sua existência como pessoa, como sujeito dotado de pensamentos e sentimentos, é anulada.

Cultura do estuprorefere-se a uma sociedade que banaliza, legitima e, por consequência, tolera agressões e assédios sexuais contra a mulher. Essa cultura está intimamente ligada à objetificação feminina. Nela, a mulher é julgada por suas condutas sexuais e morais, justificando violentas. De acordo com a Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep), uma mulher é estuprada a cada 11 minutos, no Brasil.  Um exemplo da cultura do estupro é a culpabilização da vítima de assédio sexual. 

Esse vídeo produzido pela Superinteressante explica a teoria em dois minutos.

 

 

Feminicídioum terço dos homicídios no mundo é cometido contra mulheres por seus companheiros ou ex-companheiros. A reincidência e a gravidade desses casos deu origem à palavra “feminicídio”. Ela define o assassinato de uma mulher por causa da discriminação e menosprezo quanto à sua condição de gênero. Nesses casos, muitas vezes o homem considera a mulher sua propriedade (novamente, a objetificação), retirando dela direitos.

 

Abusos

Mansplaining: foi criado pela escritora Rebecca Solnit no livro Os Homens Explicam Tudo para Mim, de 2008. O neologismo é a junção das palavras “man” (homem, em português) e “explaining” (explicação). Significa o ato de homens tentarem insistentemente explicar algo para uma mulher quando ela já sabe sobre o assunto. Um exemplo é o caso da neurologista Tasha Stanton que, durante uma palestra, foi interrompida por um espectador que sugeriu que ela lesse um artigo sobre tema apresentado. O trabalho sugerido por ele havia sido escrito pela própria palestrante.

Manterrupting: esse abuso acontece, muitas vezes, associado ao mansplaining. E diz respeito à interrupção constantes da fala da mulher, sem deixá-la terminar. A palavra também é um neologismo e une as palavras “man”, novamente, e “interrupting” (interrupção, em português).

Bropriating: refere-se a quando um homem se apropria de uma ideia que foi originalmente pensada por uma mulher e recebe créditos por ela. A gíria “bro” vem da palavra “brother”, comumente usada na língua inglesa. E une-se a palavra “apropriating” (apropriação, em português).

Gaslightingé uma forma de abuso psicológico usada por homens para convencer a mulher de que ela está louca, invalidando seus sentimentos. É comum em relacionamentos heterossexuais abusivos. O termo surgiu a partir do filme Gaslight (À Meia Luz), de 1944. Para esconder um segredo da esposa, o marido da protagonista usa táticas para abalar o estado psicológico da mulher, convencendo-a de que está louca.

Manspreading: é usado quando um homem abre tanto as pernas ao sentar-se no transporte público que invade o espaço dos demais passageiros. O neologismo usa a palavra “spreading” que significa, em português, espalhar-se.

Slutshaming: usada para identificar discriminações sobre mulheres ou meninas a partir de estigmas sexuais. O slutshaming pode ser feito tanto por homens quanto por mulheres – como, aliás, outras práticas machistas. Por exemplo, quando alguém discorda de uma mulher e usa palavras como “vadia” ou “vagabunda” para xingá-la. A palavra “slut” é usada para se referir a mulheres com comportamentos considerados promíscuos pelo papel de gênero imposto pelo machismo. Enquanto “shaming” vem da palavra “shame”, em inglês, que quer dizer “vergonha”.

Juntas

Sororidade: refere-se a uma aliança entre as mulheres para apoiarem-se mutuamente a fim de enfrentar os obstáculos impostos pelo patriarcado. O termo “sisterhood” foi inicialmente usado pela escritora Kate Millet, na década de 1970, e quer dizer irmandade entre mulheres, irmãs. Mais tarde, o termo “sororité” foi adotado pelas feministas francesas, chegando mais tarde ao Brasil como “sororidade”.

No vídeo, a psicanalista Maria Homem explica o que o termo significa.

 

Teste de Bechdel: foi criado pela escritora de quadrinhos Alison Bechdel para avaliar a representação do gênero feminino nas produções artísticas. De acordo com a autora, para saber se uma representação feminina está fora do estereótipo machista, é preciso preencher três requisitos. A produção deve ter duas ou mais personagens femininas. Elas devem conversar entre si em algum momento durante a obra. E sobre algo que não sejam homens. O teste foi criado com objetivo humorístico, mas acabou viralizando na Internet, depois de que diversos filmes famosos terem sido “reprovados”.

Fonte: https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/glossario-feminismo-entenda-termos-usados/