14 JAN 2025 • EMPREGO
Entre os homens não negros, percentual de desocupação é de 4,6%, enquanto para as mulheres negras é de 10,1%
A população negra continua a ser a mais afetada no mercado de trabalho atual, com as mulheres negras enfrentando as maiores taxas de desemprego. De acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do 2º trimestre de 2024, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a taxa de desemprego entre elas é o dobro da observada entre os homens não negros.
No período, havia 7,5 milhões de pessoas desempregadas, o que correspondia a uma taxa de desemprego média de 6,9%. Entre os homens não negros, a taxa ficou abaixo da média, em 4,6%, enquanto para as mulheres negras, alcançou 10,1%.
“As mulheres negras estão predominantemente em ocupações na base da pirâmide, especialmente em serviços domésticos, limpeza e alimentação. Elas continuam a ocupar os postos de trabalho que oferecem as menores remunerações”, afirmou a subsecretária de Estatística e Estudos do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, Paula Montagner.
A desigualdade também se reflete na remuneração. De acordo com o MTE, as mulheres negras recebem, em média, 50,2% do salário dos homens brancos.
Paula destacou que as mulheres foram as mais afetadas pela pandemia de Covid-19, com o desemprego aumentando, especialmente entre as mulheres negras que trabalhavam como empregadas domésticas.
O levantamento revela que, no 2º trimestre deste ano, havia 101,8 milhões de pessoas ocupadas, sendo que 38,6% estavam na informalidade.
Nesse contexto, a taxa de mulheres negras trabalhando de forma informal, seja como assalariadas sem registro, autônomas sem CNPJ ou em empregos domésticos sem carteira, é 9,1% superior à das mulheres não negras.