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26 FEV 2025 • CINEMA

Apenas 3 mulheres conquistaram prêmio de melhor direção em quase um século de Oscar.

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Revista Empodere

Em quase um século de história do Oscar, apenas três mulheres conquistaram um dos prêmios mais prestigiados da noite, o de Melhor Direção. Elas representam apenas 3% dos vencedores nesta categoria, que já premiou 100 diretores ao longo dos anos, sendo 97 homens. Em 96 edições da premiação, houve quatro ocasiões (2023, 2008, 1962 e 1929) em que dois homens dividiram o prêmio. Os dados são de um levantamento exclusivo sobre Mulheres no Oscar, realizado pela empresa de pesquisa Hibou a pedido da Forbes Brasil.

As barreiras para as mulheres no cinema são várias. Segundo Lúcia Monteiro, curadora, crítica de cinema e professora da Universidade Federal Fluminense, elas enfrentam desafios como liderar equipes predominantemente masculinas, trabalhar em jornadas longas e conciliar a carreira com tarefas não remuneradas, como o cuidado de pais e filhos.

As mulheres seguem sub-representadas nas principais premiações do cinema, com raras exceções no número de indicadas. Para que isso mude, seria necessário haver paridade de gênero entre os votantes, na direção dos festivais e também mais mulheres comandando longas de grande orçamento.

As 3 Vencedoras do Oscar de Melhor Direção

A cineasta italiana Lina Wertmüller fez história ao ser a primeira mulher indicada ao Oscar de Melhor Direção, na 49ª edição, em 1977, por seu trabalho em Pasqualino Sete Belezas, embora não tenha ganhado a estatueta.

Foi apenas na 82ª edição, em 2010, que uma mulher conquistou o prêmio de direção: a cineasta americana Kathryn Bigelow, que levou o Oscar por Guerra ao Terror, que também ganhou o prêmio de Melhor Filme, além de outras quatro estatuetas.

Mais de uma década depois, em 2021, a cineasta chinesa Chloé Zhao fez história ao conquistar o prêmio de Melhor Direção por Nomadland, que também levou o prêmio de Melhor Filme. Pela primeira vez, duas mulheres foram indicadas na categoria: Emerald Fennell, que concorria com Bela Vingança.

Em 2022, parecia que a indústria cinematográfica finalmente avançava rumo a uma maior representatividade de gênero. A neozelandesa Jane Campion, que já havia sido indicada em 1994 por O Piano, se tornou a primeira mulher a receber duas indicações de Melhor Direção e, além disso, levou o prêmio por Ataque dos Cães.

Em 2024, a também francesa Justine Triet foi a única mulher indicada na categoria de Melhor Direção, por “Anatomia de uma Queda”.

Sofia Coppola foi indicada em 2004, por “Encontros e Desencontros” e Greta Gerwig, em 2018, por “Lady Bird: A Hora de Voar”.

Por Mais Diretoras Mulheres

O progresso das mulheres nos bastidores da indústria cinematográfica tem enfrentado estagnação, como revela um relatório assinado por Martha Lauzen, diretora executiva do Center for the Study of Women in Television and Film da San Diego State University.

O levantamento, que analisou os 250 filmes de maior bilheteira de 2024, aponta um retrocesso na participação feminina em funções como direção, roteiro, produção, edição e direção de fotografia. No entanto, a presença de mulheres na cadeira de direção tem um efeito cascata positivo, criando oportunidades para que mais mulheres assumam papéis de destaque em toda a produção cinematográfica. As diretoras não apenas abrem espaço para outras profissionais, mas também trazem novas perspectivas, abordagens e experiências ao cinema. Filmes como A Substância, de Coralie Fargeat, e Babygirl, de Halina Reijn, são exemplos de como o olhar feminino contribui para histórias mais autênticas e personagens mais complexos, ampliando a representatividade nas telas.

“Cada conquista, seja um Oscar, Palma de Ouro, Urso de Berlim ou troféu de outro festival importante, conquistada por uma mulher, encoraja outras a acreditarem que é possível e inspira novas cineastas”, afirma Lúcia Monteiro, curadora e crítica de cinema.

Metodologia

Os dados apresentados foram extraídos de um levantamento exclusivo sobre Mulheres no Oscar, realizado pela empresa de pesquisa Hibou a pedido da Forbes Brasil, conduzido por Ligia Mello e Marcelo Beccaro. A análise foi feita por meio de consulta primária à base pública oficial de ganhadores do Oscar, seguida de etapas de validação manual, com apoio de ferramentas de inteligência artificial.