12 MAR 2025 • CIÊNCIA
A tecnologia pode ser usada para limpar praias e produzir matéria-prima para tecidos.
Pesquisas recentes indicam que, até 2050, a quantidade de plástico nos oceanos pode superar a de peixes. Felizmente, existem iniciativas voltadas para combater a poluição marinha, como a desenvolvida pelas estudantes Miranda Wang e Jeanny Yao. As duas começaram suas pesquisas ainda no ensino médio e, atualmente, têm duas patentes, uma empresa e aproximadamente 400 mil dólares em investimentos.
Reconhecidas por sua inovação, a dupla conquistou cinco prêmios, incluindo o Perlman de Ciência, sendo as mais jovens a receber esse prestigioso prêmio. O destaque de seu trabalho é a criação de um protótipo de bactéria capaz de transformar plástico em CO² e água. Essa tecnologia tem sido aplicada de duas maneiras principais: a primeira é na limpeza das praias e a segunda para a produção de matérias-primas para a fabricação de tecidos.
Apesar de ser quase impossível parar de usar plástico nos dias atuais, Wang acredita que todos os produtos deveriam ser biodegradáveis, como uma solução para reduzir o impacto ambiental do material.
Em um processo inovador, o plástico é inicialmente dissolvido e, em seguida, as enzimas catalisadoras fragmentam seus componentes em pedaços menores e mais maleáveis. Esses fragmentos são, então, enviados para uma estação biodigestora, onde passarão por um processo de compostagem. Esse ciclo todo acontece em um curto período de 24 horas.
O Plástico no Fundo dos Oceanos
O problema da poluição plástica alcançou níveis alarmantes, chegando até os pontos mais remotos do planeta, como o abismo Challenger, a 11.000 metros de profundidade, um local onde a presença humana é quase impossível. Este fato evidencia a imensidão do problema e reforça a urgência de medidas para reverter essa situação. O plástico flutua por todos os mares do mundo. Segundo dados da ONU de 2018, anualmente, cerca de 8 milhões de toneladas de plástico são lançadas nos oceanos. O que era impensável até recentemente é que o plástico não apenas ocupa as águas superficiais, mas também atinge as profundezas marinhas. Em uma expedição realizada por Victor Vescovo, um multimilionário norte-americano, foram encontrados no abismo Challenger embalagens de doces e uma sacola plástica. Como esses objetos chegaram a esse local distante? O que pode ser feito para evitar isso?
Como o Plástico Afeta o Mar?
Hoje, o mundo produz mais plásticos do que nunca, somando 500 milhões de toneladas, de acordo com o Greenpeace. Muitos desses plásticos são descartáveis, como garrafas, sacolas e utensílios, que, ao serem descartados, podem acabar em aterros ou, pior, no meio ambiente. O problema é que, de todo o plástico produzido, apenas 9% foi reciclado, enquanto 79% termina em aterros ou no próprio meio ambiente, como indica a mesma ONG. Mesmo que joguemos uma garrafa de longe de onde o mar está, é muito provável que ela acabe no oceano, o que demonstra a necessidade urgente de conscientização.
O Impacto do Plástico nos Oceanos
De acordo com o Parlamento Europeu, em 2018 os oceanos já tinham mais de 150 milhões de toneladas de resíduos plásticos. Caso a tendência de descarte continue sem mudanças, um estudo da Fundação Ellen MacArthur prevê que, até 2050, o plástico será mais abundante que os peixes nos oceanos. Esse cenário trará grandes perdas econômicas para setores como a pesca. Em 2018, a União Europeia calculou que os danos a esse setor chegaram a 61,7 bilhões de euros. A limpeza das praias europeias também representa um custo elevado, variando entre 194 e 630 milhões de euros, segundo a Comissão Europeia.
Microplásticos na Cadeia Alimentar
O plástico nos oceanos não apenas polui os mares, mas também se decompõe em microfragmentos que são ingeridos por diversas espécies marinhas, chegando até nós através da cadeia alimentar. Um estudo de 2016 da FAO revelou que, até então, 800 espécies de moluscos, crustáceos e peixes já consumiam plástico, com consequências ainda desconhecidas para a saúde humana.
Cinco Ações para Proteger os Oceanos
Os oceanos enfrentam uma crise sem precedentes, causada por vários fatores como a mudança climática, sobrepesca, poluição e destruição de habitats. Esses problemas têm origem humana, mas também é possível encontrar soluções através de ações humanas. Além da responsabilidade dos governos e fabricantes, o papel dos consumidores é crucial. Cada ação, por mais simples que seja, pode gerar um impacto global.
A principal solução é a redução no uso e consumo de plástico, especialmente dos plásticos de uso único, que representam 49% da poluição marinha, segundo o Parlamento Europeu (2018). Além disso, mudanças simples no nosso cotidiano podem contribuir significativamente para a diminuição da poluição plástica nos mares. Algumas sugestões incluem:
Essas pequenas ações podem ajudar a diminuir a presença do plástico nos oceanos e contribuir para um futuro mais sustentável.
Fonte UFRJ
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