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12 JUL 2018 • EVENTOS

Para dar voz, revista permite que qualquer mulher escreva e ainda divide o lucro.

Empodere quer ser uma editora feminista e ter na revista o primeiro produto colaborativo

Autora

Thaís Pimenta

Para dar voz às mulheres desse Brasil foi que surgiu a revista feminista Empodere em Campo Grande. Jornalistas, artistas plásticas, desenhistas, ilustradoras, fotógrafas, qualquer uma de nós pode contribuir com a primeira publicação impressa que aborda a filosofia do feminismo do Brasil.
A publicação vai ser lançada oficialmente hoje (12) mas a primeira edição já está a venda na livraria Le Parole e no site da Empodere. Na capa, Manuela D'Ávila, pré-candidata presidencial do PCdoB, detalha os desafios de se lançar em um meio majoritariamente machista.
Com 19 coautoras, a inovação fica por conta desse trabalho colaborativo. A partir da verba arrecadada com a venda das publicações, 40% é dividido e vai direto pra a bolsa de quem ajudou enviando material para ser publicado.
Todas as coautoras selecionadas são adicionadas em um grupo no Whatsapp chamado "Sala de Edição". Naturalmente, a partir dele se forma uma rede de contatos, que fazem girar as pautas, fazendo chegar novos conteúdos. "É incrível. Tem gente da América Latina lendo a gente por conta dessa troca", afirma Cristiane Duarte, Diretora Executiva da revista.
À frente da revista estão três mulheres que nada tem a ver com o jornalismo. Bruna Kujat, Cristiane Duarte e Márcio Paulino se reconhecem como amigas e feministas. Por isso, por mais difícil e caro que tenha sido dar esse primeiro passo e lançar a publicação o feedback tem sido positivo.
"Somos uma revista com causa. Por conta de sua versão digital, pessoas do mundo todo podem ler suas 58 páginas. E a revista é mesmo só a primeira fase desse sonho. Seremos em breve uma editora que pulicará de forma  desburocratizada os conteúdos produzidos por mulheres de todo Brasil", adianta Cris.
"Mato Grosso do Sul tem uma história e trajetória em defesa dos direitos das mulheres. Tivemos a primeira Coordenadoria Estadual das Mulheres no pais, a primeira Casa da Mulher Brasileira, movimentos sociais organizados, e agora  nasce aqui também a primeira revista nacional genuinamente feminista", dizem elas.
A vontade de produzir algo que as três tivessem vontade de ler e consumir surgiu quando Cris parou pra observar o que se falava do mundo feminino nas revistas: nada sobre a vida real das mulheres. "Além disso, o conceito de feminismo estava sendo abordado de forma errada nas redes sociais. Muitas informações fake. E sendo uma militante feminista gostaria de ter um meio de comunicação que fosse de certa forma pedagógico".
Em cada ponta da empresa e da revista, em si, o elo de fortalecimento das mulheres fica exposto. "Contador advogada, publicitárias, jornalistas, fotógrafas. Fomos nós quem fizemos a primeira edição sair e seremos não quem continuaremos fazendo".

Fonte: Lado B, Campo Grande News.